Como a Aviação Diminuiu o Tamanho do Mundo - Parte I

Em menos de 1 século, fomos da velocidade de um trem à velocidade do som.


Acordar, arrumar-se e ir para o aeroporto. De lá, para qualquer continente em menos de 24 horas. Há algumas décadas isso simplesmente não existia. O que hoje é uma rotina corriqueira, já foi impossível.


Os Primeiros Voos Comerciais

Quando o aviador Phil O. Parmalee atingiu a velocidade de 97 km/h em seu Wright Modelo B, voando de Dayton a Columbus levando uma carga de seda, foi um considerado um recorde. Iniciava-se ali a aviação comercial. Já em 1914, decolou o primeiro voo comercial de passageiros, que transportou 1 passageiro de São Petersburgo à Tampa, na Flórida, em 23 minutos. O então prefeito de São Petersburgo, Abram Phell arrematou, por 400 dólares em um leilão, seu lugar no hidroavião Benoist XIV comandado por Tony Jannus. Abram inaugurou, além de um novo mercado, uma nova era. Em 2019, foram transportados 4,5 bilhões de passageiros no mundo, apenas 105 anos depois.


O Piloto Comercial Tony Jannus e o Prefeito Abram Phell antes da decolagem. Imagem: Wikipedia.


As Companhias Aéreas Pioneiras

Com o início da Primeira Guerra Mundial, ainda em 1914, a aviação comercial ficou em segundo plano. Os esforços da então inovadora indústria aeronáutica eram concentrados em aviões militares, uma nova tecnologia de guerra. Com o término do conflito, em 1918, as aeronaves militares começaram a ser adaptadas para o uso civil, fortalecendo a indústria da aviação. Em 1919, foi fundada a primeira companhia aérea ainda em atividade, a holandesa KLM. No ano seguinte, iniciam-se os voos regulares entre Amsterdã e Londres, transportando 354 passageiros durante o primeiro ano de operação. A aeronave utilizada era o De Havilland DH-16, um biplano monomotor com capacidade para 4 passageiros e velocidade de cruzeiro de 161 km/h. Ainda no mesmo ano foi criada a colombiana Avianca e, nos anos seguintes, várias outras grandes empresas surgiram, como a australiana Qantas (1920), a belga Sabena (1923), a britânica British Airways (1924), as americanas Northwest e United (1926), entre outras. No ano de 1927 foi fundada, pelo alemão Otto Ernst Meyer, a VARIG - Viação Aérea Rio Grandense, com sede em Porto Alegre. Foi a primeira companhia aérea brasileira, iniciando suas operações com o hidroavião Dornier Do Wal, batizado de Atlântico, considerado um dos mais modernos aviões da época. No mesmo ano, foi fundada a segunda companhia aérea do país, a Cruzeiro do Sul, assim como a americana Pan Am e a Espanhola Iberia. Era a década de ouro para o transporte aéreo, mas a aviação estava apenas iniciando seu desenvolvimento e, como a maioria das pistas eram relativamente curtas, as maiores aeronaves da época eram hidroaviões, pois operavam em baías, portos, rios ou lagos. Transportavam passageiros com muito conforto e luxo. A aeronave mais famosa desta época foi o imponente Dornier Do-X. Impulsionado por nada menos que 12 motores de V12 de 610 hp, podia transportar até 100 passageiros à uma velocidade de 211 km/h. Voar era um evento e, devido seu alto custo, para poucos.


Em 1933 entra em operação o Boeing 247, visto como um dos primeiros aviões comerciais modernos, revestido totalmente com alumínio (até então utilizava-se madeira), com trem de pouso retrátil e piloto automático, chegando à uma velocidade de 320 km/h. Nessa época, as aeronaves voavam baixo, no mesmo nível de tempestades, causando desconforto aos ocupantes. A Boeing apresentou, em 1938, o primeiro avião pressurizado, o Boeing 307 Stratoliner, com capacidade para 33 passageiros. Com uma aeronave pressurizada era possível voar mais alto, aproximadamente 20.000 pés (6.000 metros, bem acima das perturbações atmosféricas), e rápido, chegando à 387 km/h. O voo tornaria-se então mais confortável.


De Havilland DH-16 da KLM que realizou o primeiro voo da empresa.


Dornier Wal da VARIG, batizado de Atlântico. Imagem: Agência Brasil.


Dornier Do-X, o maior hidroavião do seu tempo. Créditos na imagem.


Luxuoso Interior do Dornier Do-X. Créditos na imagem.


Cruzando o País

A aviação crescia rapidamente quando, em 1939, o mundo entrou em guerra mais uma vez. Agora com aeronaves mais robustas, rápidas e com muito mais tecnologia do que no primeiro conflito, os fabricantes de aeronaves novamente focaram - até por patriotismo - em aeronaves militares. Homens e mulheres literalmente construíram caças e bombardeiros. Quando a guerra terminou, em 1945, novamente havia um grande excedente de aeronaves militares que, como anteriormente, foram sendo adaptadas para o transporte aéreo de passageiros e carga. Mais uma vez, muitas companhias aéreas surgiram, agora com mais aeronaves disponíveis, sendo uma em especial, a responsável pela grande expansão da aviação internacional.


Já em plena atividade antes da guerra, o Douglas DC-3 era um sucesso: autonomia de 1500 milhas, cabine espaçosa para 21 assentos ou 16 camas para voos noturnos, velocidade de 333 km/h e operação em pistas curtas. Era o sonho de qualquer companhia aérea, pois conseguia fazer voos transcontinentais. Durante a guerra, sua versão militar, o C-47 mostrou-se igualmente eficaz, transportando tropas e suprimentos. Se já era bem conceituado antes, depois de se mostrar confiável em uma guerra, o DC-3 (e o C-47 convertido) consagrou-se como a aeronave comercial que alavancou a aviação pós-guerra, sendo considerado um dos mais importantes desenvolvimentos do setor.


Era Transcontinental

Em 1939, a companhia aérea americana TWA encomendou à Lockheed o desenvolvimento de uma aeronave pressurizada, com capacidade para 40 passageiros e alcance de 5.630 km. A fabricante desenvolveu então o L-049 Constellation, com capacidade para até 92 passageiros, velocidade de 547 km/h, uma altitude de cruzeiro de 24.000 pés (7.315 metros) e alcance de 8.700 km. Mas com a chegada da guerra, acabou tornando-se mais um guerreiro, denominado C-69 durante o conflito. Em 1945, a TWA recebeu sua primeira aeronave, iniciando no ano seguinte o voo regular sem escalas entre Nova York e Paris. Estava inaugurada mais uma era da aviação, a dos voos transcontinentais diretos. Agora, era possível voar para vários países sem escalas, uma verdadeira revolução na maneira de viajar. O Connie, como era apelidado o Constellation, estabeleceu alguns recordes: em 1957 voou de Los Angeles para Londres em 18 horas e 32 minutos e, no mesmo ano, bateu o recorde de voo mais longo sem reabastecimento da história, com 23 horas e 19 minutos na rota Londres-São Francisco. Este recorde até hoje não foi batido, pois o atual Boeing 777-200LR chegou ao máximo de 22 horas e 42 minutos no ar em um voo experimental de Hong Kong para Londres no ano de 2005.


Mas, como tudo na aviação evolui rapidamente, a chegada de uma tecnologia tornou o Connie instantaneamente obsoleto: o motor à jato.


Douglas DC-3 da VARIG preservado em Porto Alegre-RS. Imagem: Eduardo Ulyssea


Lockheed Constellation da VARIG. Imagem: Cultura Aeronáutica.


-> Continua na próxima semana em: Como a Aviação Diminuiu o Tamanho do Mundo - Parte II

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